7º Congresso Florestal Nacional: Florestas – Conhecimento e Inovação

Na organização do 7º Congresso Florestal Nacional estiveram envolvidas, na sua organização, duas instituições de ensino superior e investigação florestal, razão pela qual decorreu pela primeira vez em dois locais: Vila Real (UTAD) e Bragança (ESA do IPB).

O estudo e progresso da ciência e técnica florestais, contribuindo para o esclarecimento dos problemas económicos e sociais da actividade florestal, da produção à transformação e mercado dos bens e serviços florestais, bem como a sua divulgação, foram a razão de ser do Tema do Congresso: “Florestas – Conhecimento e Inovação”.

Também ao nível da própria organização se inovou, dando ao 7º Congresso um formato diferente assente em conferências plenárias, com a presença de oradores convidados em várias áreas que fazem da Floresta o seu laboratório para produção de ciência.

Ainda decorreram mais três sessões plenárias organizadas pelas principais fileiras: da cortiça (APCOR); do eucalipto (CELPA); do pinho (Centro Pinus). Além destas, funcionaram os laboratórios académicos para apresentação de trabalhos académicos recentes e inovadores, bem como mesas temáticas onde foi feita uma abordagem técnica de problemas e preocupações actuais do Sector. As sessões de posters aconteceram associadas aos assuntos tratados nestas mesas temáticas. 

De destacar a adesão manifestada e traduzida na recepção de um número muito significativo de contribuições. Assim, foi seleccionado um conjunto de artigos para publicação no Número Especial da Silva Lusitana, que foram entregues aos participantes do Congresso, com os documentos (Livro de Resumos respeitantes à totalidade dos posters e apresentações, bem como o CD com registo digital dos restantes Artigos/Comunicações submetidos).

Releva-se que neste Congresso no 1º dia e em “1ª mão” foi apresentado, igualmente em plenário, o “Estudo Prospectivo para o Sector Florestal” elaborado pela Associação para a Competitividade da Fileira Florestal (AIFF).

Mas, retomando o tema do Congresso: “Conhecimento e Inovação”, a Comissão Organizadora entendeu que deviam ser questionadas, durante o Congresso, as necessidades do Sector em Portugal. Por tal, foi referido que as necessidades para responder ao desenvolvimento do sector passam especialmente por: estudos de avaliação das politicas públicas indispensáveis para o sector; estudos de avaliação das organizações de produtores florestais, procurando sistematicamente avaliar as razões do sucesso e os impedimentos e constrangimentos do mesmo; estudos sobre a competitividade da fileira; estudos de quantificação do valor económico total da floresta e do valor acrescentado do sector florestal; apoio ao melhoramento das principais espécies florestais; criação de uma rede eficaz de biotecnologia; caracterização da ecologia dos sistemas agro-florestais; desenvolvimento de critérios e procedimentos de engenharia florestal, nomeadamente em resposta às variações climáticas e aos riscos bióticos e abióticos (incêndios, pragas e doenças e invasoras lenhosas); desenvolvimento de métodos de inventário florestal e modelos de produção. Referiu-se ainda que a investigação tem de apresentar soluções para problemas concretos do sector, de forma a promover a continuidade entre a procura e a oferta da investigação e antecipar o estudo de questões com que os nossos ecossistemas florestais se possam vir a deparar. Neste contexto, os meios académico e científico têm de desenvolver ciência que contribua para melhorar a gestão da floresta através da compreensão e modelação do seu funcionamento e que, em termos sanitários, nos disponibilizem orientações para: controlo do nemátodo da madeira do pinheiro; combate ao gorgulho do eucalipto; revitalização dos montados de sobro e azinho; aprofundamento do estudo das doenças dos castanheiros, entre outras. Ainda foi afirmada a necessidade de uma Agenda de Investigação com financiamento próprio, para que a “investigação transforme investimento em conhecimento que origine inovação, pois que só esta pode transformar conhecimento em mais rendimento”.

Discutiu-se o investimento na gestão para serem alcançados ganhos de produtividade, disponibilizando assim uma maior oferta de matéria-prima, e tornar efectiva a redução do risco de incêndio. Sublinhou-se a indispensabilidade de o processo de financiamento da investigação florestal ser revisto no sentido de os actores florestais influenciarem os temas investigados.

A importância do envolvimento de toda a comunidade científica nacional, nomeadamente dos Centros de Investigação e Ensino existentes nas novas Escolas Florestais, para o desenvolvimento do conhecimento florestal de excelência é fundamental. Acredita-se que o 7º Congresso tenha sido um vector importante na produção e divulgação do saber, contribuindo para responder às orientações definidas pela Comissão Europeia na sua comunicação: “Europa 2020 – Estratégia para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo.” Crescimento inteligente que desenvolva uma economia baseada no conhecimento e na inovação; crescimento sustentável que promova uma economia mais eficiente em termos de recursos, mais ecológica e mais competitiva; crescimento inclusivo que favoreça uma economia com níveis elevados de emprego que assegure a coesão económica, social e territorial.

Poderá encontrar o livro de artigos e comunicações aqui.

A Comissão Organizadora